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Você conhece a boneca Abayomi?

Para acalentar seus filhos durante as viagens a bordo dos tumbeiros – navio de pequeno porte que realizava o transporte de escravos entre África e Brasil – as mães africanas rasgavam retalhos de suas saias e a partir deles criavam pequenas bonecas, feitas de tranças ou nós, que serviam como amuleto de proteção.



As bonecas tornaram-se símbolo de resistência, sendo conhecidas como Abayomi, termo que significa ‘encontro precioso’, na língua Iorubá, uma das maiores etnias do continente africano cuja população habita parte da Nigéria, Benin, Togo e Costa do Marfim.


O 'amuleto' se tornou comum na arte popular brasileira a partir do movimento de mulheres negras do Maranhão, tendo sido criada por Valdilena Martins, também conhecida como Lena Martins, que buscava na arte popular um instrumento de conscientização e socialização.


Lena Martins, Movimento Negro e o começo de tudo

Educadora popular e militante do Movimento das Mulheres, ela liderou a confecção das bonecas no Brasil no final dos anos 1980, ao mesmo tempo em que o Movimento Negro organizava uma marcha para lembrar os 100 anos da abolição. Em um cenário em que a questão ecológica estava se popularizando, o objetivo de Lena era fazer da arte popular instrumento de conscientização e sociabilização. Não demorou para que o trabalho fizesse sucesso e chamasse a atenção de mulheres espalhadas pelos quatro cantos do país. A aceitação foi tanta que em 1988 foi criada no Rio de Janeiro a Cooperativa Abayomi, plataforma fundamental para o fortalecimento da autoestima e reconhecimento da identidade afro-brasileira.


Por meio de um trabalho social e humanitário, a Cooperativa Abayomi está em constante diálogo com os movimentos negros, estudantil, sindical e religioso. O projeto faz parte da rede nacional contra a violência à mulher e da rede de mulheres negras latino-caribenhas. Integram o time da Cooperativa Abayomi mulheres educadoras, psicólogas, terapeutas, que juntas organizaram um grupo de trabalho baseado na conscientização e socialização do indivíduo.

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