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Racismo e mercado de trabalho: os desafios da população negra no Brasil

Por Revista Exame (Da redação, com agências)


Urgência das pautas tem como pano de fundo as estatísticas de desemprego e homicídio que seguem maiores entre os negros e pardos

Desemprego: no ano passado, a população preta e parda do país ficaram entre a maioria dos trabalhadores desocupados (64,2%) ou subutilizados (66,1%) (Brazil Photos / Colaborador/Getty Images)

A inclusão no mercado de trabalho é o tema mais urgente para a população negra, segundo a pesquisa Consciência entre Urgências: Pautas e Potências da População Negra no Brasil, divulgada nesta semana pelo Google Brasil.


Na opinião de 46%, a colocação profissional é um dos assuntos prioritários para a vida das pessoas negras. O estudo foi realizado pela consultoria Mindset e pelo Instituto Datafolha e ouviu 1,2 mil pessoas pretas e pardas ao longo do último mês de outubro.


A urgência da pauta tem como pano de fundo a estatística: no ano passado, a população preta e parda do país ficaram entre a maioria dos trabalhadores desocupados (64,2%) ou subutilizados (66,1%), segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística


A informalidade também atinge mais essa parcela dos brasileiros, que hoje representam 55,8% da população. Enquanto 34,6% de pessoas brancas se encontram em condições informais de trabalho, a informalidade atinge 47,3% de pretos e pardos.


Racismo estrutural

O racismo estrutural — tema que apareceu como mais discutido na pesquisa — também é apontado como um dos mais urgentes para a população negra (44%).

Segundo pesquisa recente do IBGE, essa parcela da população tem 2,7 mais chances de ser vítima de assassinato do que os brancos.


Segundo a analista de indicadores sociais do IBGE Luanda Botelho, enquanto a violência contra pessoas brancas se mantém estável, a taxa de homicídio de pretos e pardos aumentou no ano passado em todas as faixas etárias.


“Na série de 2012 a 2017, que foi o período que a gente analisou neste estudo, houve aumento da taxa de homicídios por 100 mil habitantes da população preta e parda, passando de 37,2 para 43,4. Enquanto para a população branca esse indicador se manteve constante no tempo, em torno de 16” diz.


Em relação ao racismo que permeia as instituições públicas e privadas no Brasil, foram levantados temas como a representatividade na política e o apagamento da história dos negros nos currículos escolares e universitários.


Apesar dos desafios de representatividade e enfrentamento do racismo, no ano passado, a proporção de pessoas pretas ou pardas cursando o ensino superior em instituições públicas brasileiras chegou a 50,3%. Essa foi a primeira vez que essa parcela da população ultrapassou a metade das matrículas em universidades e faculdades públicas.


Segundo o estudo da Google, sete em cada dez negros não se sentem representados pelos governantes. Votar em candidatos negros é uma pauta importante para 61% da população negra, tendo mais apelo entre os menos favorecidos economicamente (73% entre as classes D e E) do que entre que estão melhor colocados socialmente — 47% nas classes A e B.


Para 69%, as marcas comerciais tratam de forma superficial ou oportunista temas relacionados à negritude.


Feminismo e genocídio

O feminismo negro foi apontado como tema urgente por 23% da população negra, seguido pelo genocídio dos negros (24%).


O alto número de mortes violentas entre negros é uma preocupação maior para os maios jovens, chegando a 28% na faixa entre 16 e 34 anos de idade, mas caindo para 18% entre os com 60 anos ou mais.


O sentimento de urgência em relação ao genocídio é maior entre aqueles com ensino superior (30%) e menor para as pessoas que estudaram apenas até o ensino fundamental (14%).


Relação inversa ocorre com o feminismo negro, apontado como urgente para 18% das pessoas que têm ensino superior e para 30% das que só têm ensino fundamental.

Em quinto lugar ficaram as políticas afirmativas, como cotas raciais, vistas como prioritárias para 19%. O sentimento de urgência para esse tipo de política é maior para os homens (23%) do que entre as mulheres (17%).

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